O papel de cuidar
Artigo revela os esforços individuais de pessoas conscientes, como Otacílio Gomes Queiroz, o Oto, Funcionário do Ciclo Básico da Engenharia da PUC-Rio, e Geneci José Felix, do Departamento de Educação da PUC-Rio, que no seu dia a dia tomam atitudes sustentáveis, buscando evitar o desperdício de papel e enfatizar sua reutilização.PAPEL DE CUIDAR
O consumo de papel cresce nos países desenvolvidos a cada ano, e junto com ele a busca pelos recursos naturais da América do Sul, no Brasil, Uruguai, Argentina e Chile, principalmente. Segundo informe do Greenpeace Cone Sul, "nas próximas décadas haverá uma importante pressão para ampliar as zonas de plantação – de árvores – e instalação de fábricas de polpa de celulose em grande escala na América do Sul". As empresas multinacionais tendem a investir na instalação de novas fábricas de celulose e na expansão das já existentes, para suprir a demanda crescente de papel.
Na contramão das empresas multinacionais estão indivíduos, que no seu dia a dia, se relacionam de forma diferente com a natureza e seus recursos. É o caso 'de Otacílio Gomes Queiroz, o Oto, Funcionário do Ciclo Básico da Engenharia da PUC-Rio, onde tem o cargo de Supervisor Administrativo e tem como função, guardar e organizar a estrutura para a aplicação das provas dos alunos do Ciclo Básico de engenharia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Ele guarda há mais de quatro anos a sobra de papel das provas, normalmente papel com um lado em branco, acreditando que ao invés de virar lixo, esse papel pode vir a ser reaproveitado, e que o desperdício e o consumo possam se reduzir.
Oto, além de trabalhar no seu departamento, é tesoureiro nas horas vagas, sem remuneração, da Associação dos Funcionários da PUC. Em Santa Teresa, bairro onde morou durante 20 anos, atuou como tesoureiro da AMAST- Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa, contribuindo com a preservação do Bondinho, como principal meio de transporte do bairro e, com a coleta seletiva de lixo. Atualmente, no prédio onde mora e é membro do Conselho do condomínio, na Tijuca, faz coleta seletiva de lixo, guarda a sobra do óleo usado e pretende criar cisterna para acumular a água da chuva para uso no jardim e na lavagem dos carros.
Com a iniciativa de reduzir o desperdício de papel, já foram guardadas oito caixas, com aproximadamente 40000 folhas. Rumo criativo e útil para todo este papel foi encontrado quando ele participou da confecção de cadernos ecológicos, a pedido da professora Miriam Langenbach, em que selecionava o papel e tirava os grampos para fazer blocos com capa de papelão. Os cadernos ecológicos foram doados para alunos, amigos e para o açougueiro da esquina, em Santa Teresa.
Outro exemplo individual, na contramão do comportamento desenvolvimentista insustentável, vem de um funcionário do Departamento de Educação da PUC-Rio, Geneci José Felix, que, por iniciativa própria, diminuiu a quantidade de folhas usadas pelos professores do seu departamento. Fez isso ao perceber que o programa de aula do professor era formatado de maneira que tinha muito mais espaço sobrando que informação, e que podia economizar de cinco páginas para três, o que no total de impressões reduziria bastante a quantidade gasta de papel.
Ele conta que seu departamento tem uma perda de 20% do papel, de impressões boas que não são usadas. Diante disso, "o que eu posso fazer para reduzir o consumo eu faço, porque é importante não só para o departamento, mas para a universidade toda", explica Geneci. A iniciativa não se manteve por muito tempo, porque conforme disse, "não ganho só para fazer isso, então não tem como fazer todo esse filtro". Apesar da reutilização e da redução de papel não serem uma preocupação de todos, o gesto de Oto e de Geneci com o papel da universidade revela que tem gente que não vai ficar esperando passivamente que a estrutura de desenvolvimento atual mude.
Mariana Montenegro
Junho de 2008
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