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ISO 14001: o selo da gestão verde se apresenta ao NIMA

A PUC-Rio está colaborando com a Associação das Universidades administradas pelos jesuítas na América Latina (AUSJAL) em vários projetos. Um deles é a questão da sustentabilidade ambiental e, em particular, de um campus universitário sustentável. Com o objetivo de conhecer melhor exemplos bem-sucedidos na área ambiental, convidamos a professora Dra. Luciana Gomes, da UNISINOS (São Leopoldo, RS), universidade que em 2004 ganhou o selo ISO 14001 que atesta a gestão ambiental eficiente, para detalhar essa experiência para membros do corpo docente da PUC-Rio. Após a palestra, ela conversou com o NIMA, e explicou melhor a importância do ISO 14001 para uma universidade do porte da PUC-Rio e da cobrança cada vez maior dos próprios alunos para que seu campus apresente iniciativas sustentáveis.

A Prof.ª Luciana Gomes é Doutora em Engenharia Civil/Hidráulica e Saneamento pela Escola de Engenharia de São Carlos/Universidade de São Paulo, Professora titular da UNISINOS do Programa de Pós Graduação em Engenharia Civil e Ambiental, Gestão Ambiental e Coordenadora do Sistema de Gestão Ambiental e de Qualidade dos Laboratórios Tecnológicos. Pesquisadora na área de Engenharia Sanitária, com ênfase em Resíduos Sólidos urbanos e Gestão Ambiental. Como Coordenadora da SGA da UNISINOS, conquistou em 2004 o IS0 14001, tornando a UNISINOS a primeira universidade da América Latina a ter esta certificação. Em 2014, passou a ter certificação dos laboratórios, pela ISO 17025, sendo esta integrada à Gestão Ambiental.

O ISO é um selo normalmente voltado para empresas. Qual a importância e os benefícios para uma universidade em obter, neste caso específico, o selo ISO 14001?

Luciana Gomes: Uma universidade e um campus universitário têm um porte e atividades que se desenvolvem ali dentro, que são muito similares a de um município. Alguns campus em termos de quantidade de alunos, professores e funcionários, têm mais pessoas circulando do a maioria dos municípios brasileiros, por exemplo. Se você pensar que mais de 70% dos municípios brasileiros tem menos de 20 mil habitantes, aqui na PUC-Rio, por exemplo, você teria uma cidade maior do que estes 70%. Então, por definição a universidade, ou o campus universitário, é uma atividade potencialmente poluidora. Você tem que gerenciar consumo de água, de energia, você gera efluentes domésticos ou líquidos de tipo industriais dos laboratórios, você tem que gerenciar resíduos; e você tem também, a questão para mim fundamental, que é dar o exemplo. A universidade tem que dar o exemplo de como seguir essas rotinas de uma maneira correta, minimamente, que atendam à Constituição, que é o básico. O ISO 14001 vai te dar uma sequência de requisitos e questões que precisam ser atendidas.

Existe, óbvio, algum marketing que você pode fazer em cima disso, quando você tem o selo, mas não é o ponto principal do selo, tanto que a UNISINOS não faz isso. Mas o que percebemos fortemente é que nos parques tecnológicos e nas empresas que vêm se instalar na universidade, elas entendem muito bem o que facilita ela ter um campus certificado. Na UNISINOS acontece isso. Você não precisa fazer marketing, mas ter o ISO 14001 como plano de fundo e poder demonstrar que você é uma universidade que atende a uma norma internacional é um diferencial que ninguém te tira.

Como um campus universitário sustentável pode influenciar na formação dos alunos?

LG: É um ganho. O corpo discente, os alunos, é quem mais nos cobra. Eles demandam isso, mesmo que eles não saibam da ISO 14001 especificamente, eles querem ver a universidade fazendo as coisas de forma correta, ecológica. Esta exigência hoje, diferente do passado, não é só ter um campus bonito, “verdinho”, com flor, grama, passarinho... Hoje, uma boa parcela da população já entende que gestão ambiental é cuidar desses impactos. Consumo de água e energia são temas fortes hoje. Quanto a resíduos também, a importância de separar o lixo, não tem um aluno que não queira ter coleta seletiva. Pelo contrário, eles reclamam quando não tem ou veem algo errado. A universidade precisa estar preparada para responder isso. A universidade tem que dar esse passo, e dá-lo antes mesmo de ser cobrada. Pode não estar fazendo tudo 100% ainda, mas tem que começar a mostrar, e aí entra a comunicação interna – existe um requisito da norma, inclusive, que fala apenas sobre isso. Eu tenho que mostrar para comunidade acadêmica o que eu estou fazendo e o que eu posso fazer. Às vezes eu preciso de uma ação que vai custar muito dinheiro, então eu preciso dizer “olha isso não dá para fazer agora, porque as prioridades são outras, mais para frente a gente faz”.

Quais os maiores desafios para uma universidade que quer ganhar o selo ISO 14001?

LG: Acho que é tornar mais amplo o entendimento de todo mundo de que isso é uma ferramenta de trabalho e que você tem que aceitar essa rotina. As pessoas precisam saber quais são suas responsabilidades perante a questão ambiental. Para fazer isso você precisa elaborar procedimentos e documentos, isso falta muitas vezes. Às vezes as pessoas fazem o errado não porque elas queriam fazer o errado, mas porque elas não sabem como é o certo. Alguém tem que dar essa linha, essa diretriz, esse caminho de como trabalhar. 

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