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O Brasil é um país de megabiodiversidade que se caracteriza por uma riqueza natural singular, formado por diferentes biomas e ecossistemas, integrados em diferentes aspectos climáticos, geológicos e geomorfológicos. Esses biomas e ecossistemas devem ser preservados garantindo não apenas o enorme potencial biológico e genético, que vislumbram inúmeros usos e benéfico da humanidade como um todo, mas também pela importância dos mesmos no equilíbrio planetário. Todas as ações educativas e científicas que estimulem a preservação dos mesmos são missão e obrigação do mundo acadêmico de uma universidade.
O Campus da PUC-Rio está inserido no meio da Mata Atlântica, considerado hoje como um dos biomas brasileiros mais ricos em biodiversidade, sendo, por outro lado, um dos mais ameaçados. Sua preservação é premente e todos os esforços de manejos sustentáveis devem ser orientados para a sua manutenção, conhecimento e ampliação. O Campus da PUC-Rio, localizado no vale da Gávea, compõe a bacia de drenagem do rio Rainha que o corta. As encostas que integram o vale são cobertas por remanescentes da Mata Atlântica e se encontram relacionadas com as áreas de proteção ambiental, como o Parque Nacional da Tijuca e o Parque Municipal Dois Irmãos. A Universidade, com seu Campus coberto de vegetação, está relacionada com a paisagem dessas duas estruturas vegetacionais.
As responsabilidades socioambientais, sustentadas em ações que estimulem a preservação do Bioma Atlântico, extrapolam os muros da Universidade, envolvendo atividades de extensão com as comunidades que habitam o vale da Gávea, os projetos municipais e estaduais e as comunidades carentes mais distantes.

Visando conservar e expandir a atual cobertura vegetal do campo de forma sustentável, sugerimos as seguintes diretrizes gerais:

Diretrizes:

  • Considerar o Campus como um fragmento florestal atlântico alterado, de importância social e ambiental para a cidade do Rio de Janeiro.
  • Promover a expansão da área verde do Campus, com introdução de espécies nativas da Mata Atlântica e de outros biomas brasileiros.
  • Garantir a funcionalidade da estrutura arbórea do Campus através do retorno sistemático do material biológico descartado, criando processos de reciclagem e retorno para a área verde.
  • Facilitar a drenagem natural do Campus através de uso de pisos aerados, evitando o escoamento superficial de água causado pelo asfaltamento.
  • Proteger as áreas florestadas com canteiros evitando a exposição e a descompactação do solo.
  • Estabelecer princípios de corresponsabilidade pela preservação dos fragmentos florestais que compõem o vale da Gávea.
  • Estimular a conectividade de fragmentos florestais presentes na área, garantindo a troca gênica através da composição de um corredor florestal no vale da Gávea.
  • Desenvolver pesquisas visando ampliar o conhecimento da biodiversidade do Campus da PUC-Rio, relacionados com a fauna, a flora e os microorganismos.
  • Desenvolver pesquisas visando avaliar o impacto das mudanças climáticas nas espécies presentes no Campus e o papel das mesmas nos processos de sequestro de carbono

Metas

CURTO PRAZO

  • Dar continuidade ao mapeamento das espécies arbóreas do Campus.

Mapeamento Virtual do campus da PUC-Rio

  • Dar continuidade no plantio de espécies de mata ciliar nas margens do rio Rainha.

Plantio de Espécies

  • Dar continuidade no processo de ampliação da biodiversidade na área do Campus, introduzindo espécies nativas e ameaçadas de extinção.
  • Avaliar a situação de degradação geotécnica da encosta florestada limitada pela autoestrada Lagoa-Barra.

Recuperação Sustentável da Encosta Sul da PUC-Rio

  • Dar continuidade no processo de implementação da estação experimental no Campus, introduzindo espécies medicinais e de relevância cultural, transformando o espaço em laboratório vivo de educação ambiental.

 

Estação de Educação Ambiental

MÉDIO PRAZO

  • Implantar um conjunto de estações meteorológicas no Campus.
  • Promover o processo de arborização nas áreas de estacionamentos.
  • Criar mecanismos de preservação da serrapilheira visando armazenar a água das irrigações (criar canteiros).
  • Dar continuidade na implantação de canteiros para as árvores do Campus.
  • Implementar um programa de contenção geotécnica arbórea da encosta florestada limitada pela autoestrada Lagoa-Barra.

Recuperação Sustentável da Encosta Sul da PUC-Rio

  • Participar da cogestão dos parques que compõem o vale da Gávea.

LONGO PRAZO

  • Implementar um sistema de compostagem no Campus.
  • Desenvolver projetos científicos visando um conhecimento maior da fauna, flora e microorganismos existentes no Campus.
  • Desenvolver projetos científicos visando avaliar o efeito das mudanças climáticas na fauna e flora do Campus, assim como o estudo das espécies relacionadas com o sequestro de carbono.
  • Implementar a drenagem natural do Campus através de uso de pisos aerados (paralelepípedos ou similares), evitando o escoamento superficial de água causado pelo asfaltamento.
  • Realizar levantamento e mapeamento das espécies arbóreas do vale da Gávea.
  • Implantar uma rede de estações meteorológicas no vale da Gávea.
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Revista GeoPUC - A revista do Departamento de Geografia