Inscrições para o Concurso de Projeto Socioambiental 2021

Estão abertas as inscrições para o Concurso de Projeto Socioambiental no Campus da PUC-Rio 2021. O objetivo é estimular os alunos de graduação a pensar e construir práticas socioambientais que sejam aplicadas no Campus da universidade. Os projetos selecionados serão expostos durante a XXVII Semana do Meio Ambiente da PUC-Rio.

Podem se inscrever grupos de estudantes da graduação da PUC-Rio ou já graduados pela Universidade, que tenham cursado em 2020.1 ou 2020.2 a disciplina Ética Socioambiental e Direitos Humanos (CRE 1175). As inscrições dos trabalhos devem ser feitas entre os dias 01 de agosto de 2020 e 15 de setembro de 2020 (para os alunos que cursaram a disciplina CRE1175 em 2020.1) e entre os dias 7 de dezembro de 2020 e 1 de fevereiro de 2021 (para os alunos que cursaram a disciplina CRE1175 em 2020.2). Confira o edital:

https://bit.ly/2EAv5IB

3º e último dia da XXVI Semana de Meio Ambiente no Jornal da PUC

O primeiro semestre de 2020 está terminando. Este ano é marcado pela pandemia do novo coronavírus, mas isso não impede a causa ambiental de ser debatida. O Jornal da PUC registrou os acontecimentos dos três dias da primeira edição online da Semana de Meio Ambiente da PUC-Rio.

Aqui está a reportagem “A sustentabilidade na pandemia e no progresso humano” de Luísa Marzullo:

Palestrantes discutem os diferentes impactos da degradação ambiental durante e após a pandemia

No último dia da XXVI Semana de Meio Ambiente da PUC-Rio, organizada pelo Núcleo Interdisciplinar de Meio Ambiente (NIMA), foi realizado, sexta-feira, 5 de junho, o seminário Dimensões do Laudato Si. A transmissão online permitiu a participação da orientadora sênior de sustentabilidade do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Emma Torres, que fez palestra seguida do professor catedrático da Universidade de Lisboa Viriato Soromenho-Marques. A mediação dos dois debates foi do professor Marcos Cohem, do Departamento de Administração.

Em sua palestra, Emma Torres abordou o tema Laudato Si’ na Pandemia, na qual traçou paralelos entre a encíclica do Papa Francisco e os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas. Pós-graduada em economia ambiental e mudança climática pela Universidade de Harvard, Emma identificou uma relação direta entre os direitos humanos, base da Laudato Si’, e os objetivos globais de sustentabilidade. 

Emma Torres

Ao discorrer sobre os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS), a representante do PNUD lembrou quando eles foram criados no evento Rio +20, ocorrido em junho de 2012, no Brasil. Ela afirmou que agora existe uma demanda por ações emergenciais, mas, com o fim da pandemia, serão essenciais ações estruturais como uma recuperação econômica alinhada aos ODSs.

– A recuperação da pandemia é uma oportunidade para investir em economia sustentável. Essa visão já é adotada na Europa. O Canadá também segue a mesma linha. Eu acho que terá um impacto no Brasil. Espero que o diálogo com a ONU continue, já que o Brasil liderou as negociações pelas ODS e é um país que tem todos os ativos para ser uma economia sustentável.

A economia sustentável, segundo Emma Torres, é efetiva caso haja investimentos iniciativas no ambiente das cidades, como hortas urbanas, telhados verdes e sistema de bio-retenção da água. Já no meio rural, a construção de postos de saúde e a capacitação de agentes nas próprias comunidades são algumas das medidas que auxiliariam neste processo, que consiste em reduzir o desmatamento e aumentar a resiliência nas atividades econômicas.

Emma destacou que, como coordenadora da SDSN Brasil, Rede de soluções de desenvolvimento sustentável, a PUC-Rio exerce um importante papel para as Nações Unidas. Para orientadora sênior de sustentabilidade do PNUD, é necessário promover um diálogo dentro da academia acerca do que é a agenda sustentável para a comunidade.

– O mais importante das universidades é promover um diálogo com os estudantes, da agenda sustentável para a cidade e para o país. Por outro lado, temos outras linhas de trabalho global. Mas a ideia é cada universidade incluída adotar na cidade que ela está inserida.

No segundo debate – a Laudato Si’ na Academia – o professor Viriato Soromenho-Marques ressaltou o papel das universidades em defesa do meio ambiente. Em uma abordagem histórica, o mestre em filosofia comparou o passado de abundância natural com o estado de destruição atual do meio ambiente. Soromenho-Marques alertou para as responsabilidades das ações dos homens que, segundo ele, não respeitam os ecossistemas e usam irracionalmente os recursos naturais para controlar os fluxos de energia e resíduos.

 Professor Viriato Soromenho-Marques, da Universidade de Lisboa

Esse cenário, de acordo com o professor, é resultado do desejo incessante de fazer crescer a economia às custas da natureza o que, observou, se evidenciou durante a pandemia. Para Soromenho-Marques, a lógica neoliberal de um crescimento infinito da economia levou países a catástrofes.

– Portugal priorizou uma política de proteção da população e não da economia, como na Suécia – país mais rico que Portugal. A Suécia quis proteger a economia, o “bezerro de ouro”, e os estragos são visíveis: um número muito maior de mortos do que em Portugal. 

 O professor afirmou que mesmo sendo muito importante, o estado não garante a permanência em casa.

– Nós temos que trabalhar para que o estado seja um instrumento de liberdade e não de tirania. O problema é que na maioria dos lugares, o estado serve a 1% da população.

Viriato Soromenho-Marques questionou o modelo tecnológico vigente que, segundo ele, vem desprovido de uma visão crítica. Para ele, é preciso abandonar o otimismo e ter lucidez para compreender que a tecnologia visa controlar a natureza.

2º dia da XXVI Semana de Meio Ambiente no Jornal da PUC

O primeiro semestre de 2020 está terminando. Este ano é marcado pela pandemia do novo coronavírus, mas isso não impede a causa ambiental de ser debatida. O Jornal da PUC registrou os acontecimentos dos três dias da primeira edição online da Semana de Meio Ambiente da PUC-Rio.

Aqui está a reportagem “Respeitar a natureza para uma vida melhor” de Nathalie Hanna:

A relação de religiões com o meio ambiente e a ação do homem para preservar o planeta foram discutidas no segundo dia da Semana do Meio Ambiente

O tema Fé no Clima e as Alterações Climáticas no Contexto da Pandemia foi o tema abordado na Semana de Meio Ambiente, na quinta-feira, 4 de junho. O encontro transmitido on-line promoveu um diálogo inter-religioso, com a participação de representantes de diferentes religiões. Um outro debate sobre mudanças climáticas foi realizado com o professor Filipe Duarte, da Universidade de Lisboa, e o professor Sergio Besserman, do Departamento de Economia. Os painéis foram mediados pela coordenadora de Extensão do Núcleo Interdisciplinar de Meio Ambiente (NIMA), professora Maria Fernanda Lemos, e pela Coordenadora da Iniciativa Fé no Clima, Moema Salgado. 

Ex-aluna de Ciências Sociais da PUC-Rio e babá de Umbanda da Casa do Perdão, Mãe Flávia Pinto, ressaltou a importância do meio ambiente em  algumas religiões, como a Umbanda, que utiliza elementos da natureza para realizar certos rituais. Ela apontou as origens afro-brasileiras da religião e destacou que este tipo de crença cultiva a consciência da preservação da natureza, que é uma parte importante na conexão dos umbandistas com o meio ambiente.

– Tanto a umbanda como o candomblé são religiões de origem africana, e a umbanda indígena também. Segundo os laudos arqueológicos, nós existimos muito mais do que 2020 anos. Nós não somos religiões da era moderna, nós somos tradições étnicas culturais.  Nossa relação com o meio ambiente é uma relação de sobrevivência. O uso da medicina tradicional vai estar presente na nossa religiosidade de uma forma muito integral, nós temos conhecimentos do uso das ervas, das folhas, das raízes, das águas e da preservação. 

Mãe Flávia Pinto, rabino Dario Bialer e Mirim Ju Yan

O rabino da Associação Religiosa Israelita do Rio de Janeiro Dario Bialer afirmou que o trabalho de Deus reflete em tudo que o homem faz. Para ele, os seres humanos são as mãos de Deus no mundo. Bialer ressaltou o valor do projeto Fé no Clima e completou com a observação de que a fé no clima não vai se comportar por meio da fé, e sim da obra das mãos de cada indivíduo. O clima, segundo o rabino, será a consequência da obra do homem e ele é a resposta pelo o que o ser faz e deixa de fazer.

Integrante do Conselho Indígena do Distrito Federal, Mirim Ju Yan destacou a magnitude da natureza para os indígenas. Ele comentou que, para eles, a relação com a mãe-terra é única, não existe ambientalismo indígena. Ju Yan afirmou que não existe a separação do que é sociedade e do que é meio ambiente: as pessoas constroem o mundo sagrado e o cultivam; elas são o meio ambiente, são a natureza, observou.

Crise climática 

No segundo painel, o professor Filipe Duarte, da Universidade de Lisboa, comentou as modificações climáticas que vão surgir a partir do cenário atual. Duarte também ressaltou a importância do Papa Francisco, que reconhece o valor da ciência, sobretudo em um mundo que necessita da tecnologia para solucionar os problemas. De acordo com ele, a atmosfera mudará se a população não passar por uma transformação. O professor enfatizou que os problemas globais são definidos como crises de caráter global e socioeconômico, o que aumenta a desigualdade no mundo.

– As alterações climáticas começam a afetar muitas populações pelo mundo, mas vão se tornar mais graves se nós não travarmos as emissões de gases com o efeito estufa na atmosfera. É hora de dizer adeus aos combustíveis fósseis, reconhecer que foram muito importantes na nossa civilização, mas agora é tempo de mudar, é tempo de fazer uma transição energética para as energias renováveis. Também é tempo de sermos mais cuidadosos no uso de energia. 


Professor Filipe Duarte, da Universidade de Lisboa

O professor Sergio Besserman, do Departamento de Economia, frisou que é necessário implementar medidas em relação à crise climática que, segundo ele, é a sexta grande extinção que o humano está imerso. Besserman observou que a instabilidade do meio ambiente é causada pelos comportamentos prejudiciais do homem, e o maior obstáculo da raça humana são os efeitos que o desequilíbrio da natureza possam causar.

– Eu quero destacar não apenas os aspectos científicos, mas o futuro que é afetado pela pandemia. O maior desafio da humanidade, neste momento, é a crise climática. Os impactos que ela causa são gigantescos e vão seguir se continuarmos a trilhar a estrada que estamos trilhando. Ela traz desafios inéditos, como ser uma única tribo e a equidade intergeracional. Nós somos tribais, mas agora somos uma tribo de fato, estamos juntos. A humanidade era abstrata e agora tem que ser concreta.

Professor Sergio Besserman, do Departamento de Economia. Foto: Larissa Gomes

Além de Duarte e Besserman, o segundo dia da Semana do Meio Ambiente teve a presença do diretor do Departamento de Teologia, padre Waldecir Gonzaga, do rabino Dario Bialer, da socióloga e Mãe de santo Flavia Pinto, do pastor Timóteo Carriker e do indígena Mirim Ju Yan, que participaram do primeiro debate.